O custo que não fechava com o CUB
A direção da Amalfi queria um número simples: a diferença entre o custo de construção e o preço de venda, com precisão suficiente para decidir a tabela de vendas. Porém, como é realidade em vários mercados, esse dado não tinha fácil acesso dentro da empresa.
Ao comparar os custos apropriados no ERP com o CUB, o resultado se repetia. A leitura da equipe era de que, na região, já não se constrói uma obra de médio padrão pelo valor do índice: a oscilação dos preços não chega a ele na mesma velocidade, e a cesta de produtos é diferente da que as obras usam.
Faltava uma referência mais próxima da realidade para confirmar essa leitura.
De abril a outubro de 2026, o CUB R-médio de Santa Catarina subiu 4,4%. No mesmo período, o CUB TÁTICO, calculado com preços reais de compras e contratos de obras no estado, subiu 8,9%. A distância entre os dois passou de 18,9% para 24,0%.
Tomando como exemplo um projeto de 10.000 m², usar o CUB R-médio como referência de custo pode deixar R$ 7,6 milhões fora do orçamento.
O efeito chega também à receita, como lembra Vitor Campos, da Amalfi Construções: “Muitos contratos são indexados ao CUB. Se o índice cresce muito menos que o custo, a gente está deixando de ganhar, e precisa pelo menos saber quanto.”
O que muda do CUB oficial para o CUB TÁTICO
Os 29 itens considerados pelo CUB representam 71,58% do custo total de uma obra. Os outros 28,42% ficam fora do índice.
Quando desenvolvemos o CUB TÁTICO, mantivemos a consideração dos insumos da cesta do CUB, para que os dois índices pudessem ser comparados, e mudamos duas variáveis. A primeira é o coeficiente: recalibramos o peso de cada insumo a partir de orçamentos executivos reais, para que o resultado retrate melhor o custo por metro quadrado. A segunda é a fonte de preços: na maior parte dos insumos, entram os valores das compras que as obras da nossa base estão praticando.
Em outubro de 2026, o CUB TÁTICO chegou a R$ 3.932,04 por m², com mobiliário e decoração, e a R$ 3.764,78 por m², sem.
Como o CUB próprio é calculado
O ponto de partida é a mesma estrutura: os 29 insumos da cesta do CUB e os coeficientes que recalibramos. A diferença está no preço. Entram os valores que a equipe de suprimentos da empresa efetivamente paga, atualizados mês a mês.
O resultado é um terceiro índice, que reflete duas características da própria empresa: o desempenho de suprimentos e as especificações de materiais dos seus empreendimentos.
Três números lado a lado
Cada índice responde a uma pergunta.
O CUB oficial é o que indexa muitos contratos.
O CUB TÁTICO mostra quanto as obras de Santa Catarina estão pagando.
Já o CUB próprio mostra quanto a empresa efetivamente paga.
A expectativa é que o CUB próprio fique próximo do CUB TÁTICO, que parte de uma base ampla de obras da mesma região. Quando ele se afasta, o desvio vira informação. Nas palavras de Vitor Campos: “Se o nosso número ficar diferente dos outros dois, pode ser um item que a gente está fechando mal. Aí é hora de rever fornecedor.”
Com os três números atualizados todo mês, a Amalfi passa a comparar custo, preço de venda e saldo de obra com uma referência que é dela.
Qual índice a sua empresa usa para decidir?
Se o custo das suas obras também fica acima do CUB, vale a pergunta que a Amalfi se fez: quanto dessa diferença vem do mercado e quanto vem da sua operação?
É esse o número que a Gestão de Custos precisa levar à diretoria todo mês.
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